Hoje perdi o que restava do meu segundo pai... o meu avô faleceu...
Eu era a menina do avô, mimada em pequenina e educada desde criança por ele e pela minha avó, onde passava a maior parte do tempo, com quem passeava para todo o lado... nas minhas melhores memórias de infância, o rosto de um deles está lá!
A casa estava sempre cheia de gente, amigos, empregados... família! Não era perfeito mas nunca nos deixou faltar nada, construiu do nada a casa onde morámos na esperança de lá gozar a velhice em paz... Tudo isto começou a mudar radicalmente, quando em 1998 teve um AVC que lhe paralisou todo o lado direito do corpo, chegou a estar em coma... foi nessa altura que me mudei definitivamente para lá, para os ajudar com as voltas da casa de banho, cadeira de rodas, levantar e deitar. Grávida consegui pô-lo a andar abraçado a mim, sem muleta nem nada! Ainda escreveu com a mão esquerda e fez a barba sozinho, comia, etc.
Depois o André nasceu e quando começou a fazer fisioterapia, lá íamos os 3 na ambulância para a sessão com os dois, um de cada lado do ginásio. Os primeiros passos do neto foram apoiados pela cadeira do avô, mais tarde levava-o ao quintal para jogarem à bola... o meu avô, a sorrir, pegava com a mão esquerda na perna das calças do lado direito, lá arranjava maneira de chutar a bola e o mais novo ria e batia palmas de contente.Mas os AVC's sucediam-se e cada vez deixavam mais sequelas... a empresa de construção desfez-se, a casa teve de ser vendida... passei a pagar uma renda por uma casa adaptada a todas as necessidades, mas deixá-los sós é que não!
Em 2007 ficou acamado, perdeu praticamente a fala e algumas faculdades, passou a ser alimentado por sonda nasogástrica e a usar algália. A mão esquerda ainda conseguia controlar o telecomando e o rádio, não perdia um jogo do SLB, usava uma roca de bebé para nos chamar mas gradualmente foi desistindo...
No ano passado teve uma perfuração na bexiga e intestino, bactérias multi-resistentes avançavam no domínio do seu já débil corpo, ainda mais fragilizado pelas infecções respiratória e urinária, não bastava estar ligado ao oxigénio 24horas e as várias aspirações ao longo do dia. Estes últimos anos tinham sido de sustos e sofrimento, para ele e para nós... desistiu da tv e não os estores não podiam estar levantados, aquilo já não era vida! E ele estava compreensivelmente deprimido.
Ontem foi o penúltimo capítulo... o inem levou-o e passou a noite no hospital... a última... aguentou-se, não sei como, até ao início da tarde.
Ainda não o vi, têm-me poupado ao máximo, mas amanhã durante o funeral é que vão ser elas! Tenho tentado manter a calma, para bem de nós os três... eu, o pequenote que aí vem e o Dé... que ainda não sabe e vou ter que ter uma atenção e sensibilidade extra. Hoje foi comigo à consulta de obstetrícia de manhã e à ecografia de tarde... já tínhamos combinado e achei que não devia desmarcar, ele teve a oportunidade de ver o mano e eu de sair deste mundo umas horas! O pequenino já pesa 2,029 Kg e tem cabelo (vê-se tão bem na imagem), deve chegar aos três quilos e pouco na altura do nascimento, a minha tensão tem estado relativamente controlada e o bebé mexe bem, como habitual.
Fiquei um bocado ansiosa, como seria de esperar, mas fiz alguns exercícios respiratórios, bebi um chá de cidreira e fui relaxar para o quintal, tal como aconselhado pelo Saúde 24. Agora vou descansar, aqui no sofá, com as pernas elevadas e esperar pelo Anjo Maior, que tem tratado de tudo e ainda consegue orientar e amparar estas 3 mulheres que têm passado por tudo isto e muito mais... eu, a minha mãe e principalmente a minha avó...
Lamento a sua perda...
ResponderEliminarSim Paulinha és tu...,
ResponderEliminare que feliz teu avô se deve ter sentido com tanto amor de uma neta tão especial como tu!
Hoje esteja ele onde estiver está descansado e feliz, e tu, assim como o Dé,bebé e toda a família, terá em vossos corações tudo de bom que ele vos transmitiu, desejo eu um dia, ser lembrada assim por meus netos!
Agora precisas descansar,por ti, pelo Dé,bebé e por todos que ainda dependem de ti, um beijinho com todo o carinho do Mundo
Quanto ao avô vê as coisas pelo lado positivo, recorda as coisas boas, e pensa que neste momento ele estará feliz, mais descansado,e sem sofrimento....
Beijossss e muita força miúda.
Maria M. Galvão