terça-feira

E é oficial!!

Hoje fomos fazer a ecografia do 2º trimestre/morfológica, primeiro no hospital e depois na FetusVitae, aqui em Évora!
E pronto, já não há margem para dúvidas, se primeiro se desconfiava da rapariga, o espírito de contradição levou a melhor e revelou-se um rapaz! :) 
É mais um pilas cá em casa, continuo em minoria...  e o mais engraçado é que de "toda a gente" só houve uma pessoa que sempre se referiu ao ele... o padrinho! 
 O Dé que andava a pedir a mana há tanto tempo, vai ter que esperar... pode ser que para a próxima... ;)
Entretanto já está todo contente com o mano, vai ter a quem ensinar a jogar à bola, e também já o avisei para ir treinando o "fazer xixi" para dentro da sanita, mesmo ensonado não pode falhar!!! Isto de vez em quando não corre muito bem... Uma das (muitas) coisas boas é que já não há problema em partilhar o quarto durante uns anos, e ele gostou da ideia também!
O  pai já anda cheio de ideias... ainda bem, é bom estarmos assim... a levitar de alegria!
O mais importante é que está tudo bem com todos, apesar da minha perda de peso e volume, o bebé está bem, pesa 360gr, o coração e os outros orgãos estão óptimos, mexe-se muito e as medições técnicas estão todas como é suposto. É uma magia tão boa! Já demos a noticia à maior parte da família e amigos, e claro não podíamos deixar de partilhar aqui com os amigos e amigas, esta nossa "aldeia", tão grande e que ainda assim nos mantém tão próximos.

Ah... e nem vale a pena perguntar pelo nome! Já está decidido mas o mundo só saberá depois dele nascer! Shhh... é segredo! :)

sexta-feira

Puxão de orelhas...

Levei um "puxão de orelhas" merecido... tinha abandonado o blog...
Não sei como, mas acho que sei porquê. Desinteressei-me, faltou-me o feedback e achei que a minha vida e as minhas ideias não têm sido nada de especial nem digno de interesse, e tantas outras coisas que me passaram pela cabeça, são modas que passam acho eu... Ou então era a ânsia de satisfazer o meu ego ao ler comentários de quem até nem conhecia, porque os conhecidos não lêem ou não comentam, o que me levou ao tal sentimento de desinteresse... e fiquei frustrada, triste, decepcionada...
Por outro lado, devo levantar a moral, por um bem maior e parei para pensar (sim, ocasionalmente acontece e a coisa até nem corre pior)... comecei por me lembrar dos motivos por ter aberto este blog, lembrei-me do conforto, carinho e amizade que me proporcionou, localizei temporalmente os momentos em que escrevia, e tomei consciência das minhas vivências... afinal valeu a pena! 
Perdoem-me o egoísmo mas, escrevo para mim (em 1º lugar) porque é uma forma de visualizar o que me vai na alma, ao ler cada palavra... cada uma carrega uma fracção de momento, de sentimento, de pensamento. Depois escrevo na esperança de obter alguma compreensão, de partilhar os bons e maus momentos, não procuro julgamento mas, ao acontecer, tento tirar proveito ou lição daí. São necessários, benéficos estes puxões de orelhas, fazem-me falta para voltar aos eixos!
As palavras sempre fizeram parte da minha vida, o meu pai escrevia-me poemas quando eu era pequenina (long, long time ago), recordo-me com saudade das cópias e ditados que fazia nas tardes de Inverno ao pé da minha mãe enquanto ela costurava, ou com os meus avós aquecida pelo lume de chão lá nas Courelas, ou nas tardes de Verão, nas horas de maior calor enquanto esperava para ir tomar um bom banho no tanque da rega, não me custava mesmo nada escrever, sempre gostei... 
E ler, li muito em tempo de escola e mantinha o hábito nas férias, fascinava-me a Língua e Escrita Portuguesa de "antigamente", as colecções de livros nas estantes das casas que visitava e os tempos de escola em que faltava às disciplinas que menos gostava para ir para a biblioteca pública, é de loucos mas é verídico! E depois quando lá estava perdia a noção do tempo e só quando a funcionária me chamava a atenção das horas é que "acordava" para a realidade, houve dias em que só fui à escola para deixar e ir buscar a mochila... felizmente não foram muitos, senão tinha chumbado! Por minha iniciativa passei as férias do 4º para o 5º ano a fazer entrevistas de rua sozinha, e a escrever tudo num caderno A5, andava pelas ruas da minha cidade, visitei até estações de rádio para saber como tudo funcionava, tipografias, museus, enfim, além de curiosa tinha sede de cultura! Ainda tenho, mas a ânsia da idade, na altura era mais forte!
 E "todos" pensavam que eu andava metida em más companhias e que possivelmente andava "p'raí a fazer asneiras"... Era a tal capa de protecção que eu tinha de me "armar" em durona, a minha alcunha na altura era "tropa" por causa da maneira como eu practicamente "marchava" com as minhas botas de cano alto e estilo militar, com os atacadores enfiados de uma forma... especial... 
Alguns rapazes e raparigas mais novos lá da escola chamavam-me de "madrinha" porque os defendia, mal sabiam eles do que eu tinha já passado na idade deles... tudo tem um motivo de o ser! Mais tarde abandonei este "estilo", mais concretamente na altura em que estudávamos a 2ª Grande Guerra, vimos a "Lista de Schindler" e houve um debate no auditório em que foram convidados (e estiveram presentes) sobreviventes dos campos de concentração, foi marcante! A partir daí decidi abandonar a violência gratuita, e a intimidação como meio de persuasão... não seria melhor que os que fizeram pior, eu entendi assim... deixei-me das caveiras, do misto de "estilo gótico" que ainda cheguei a adoptar, das pulseiras de cabedal e metal... de repente achei que aquilo era intimidatório, o que no fundo até era o disfarce perfeito para a minha fraca auto-estima!
Com o tempo vi-me forçada a usar essa capa muita vez... e também com ele aprendi a não necessitar mais dela, às vezes não é fácil resistir, mas encontrei uma força que desconhecia em mim. Fui-me descobrindo, conhecendo, respeitando... acho que são estes os termos que mais se adequam. Agradeço a toda a gente que passou na minha vida, fizeram de mim quem sou hoje... aos amigos, inimigos, professores, família, conhecidos, vizinhos, desconhecidos, indiferentes... sim, até quem me tratou com indiferença me ensinou algo, é óptimo retirar o sumo, a substância de todos os momentos, ainda que não oportunamente mas nada que o tempo não resolva. Afinal, mais vale tarde que nunca...